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Home > Publicações > Educação e Matemática > Nº 66 · Janeiro/Fevereiro 2002


EM66 Janeiro/Fevereiro 2002
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Editorial

Revisão do Secundário: Adiar para quê?
Paula Teixeira

Em 1997 iniciou-se o processo de revisão do Ensino Secundário. Estivemos dois anos a fazer um diagnóstico da situação. Analisámos exaustivamente a evolução histórica, tentámos compreender a situação actual, perspectivámos o futuro. Nem sempre estivemos de acordo. Alguns de nós apontaram problemas quer nas finalidades quer no desenho curricular que se ia construindo.

Quisemos participar nos debates que se foram fazendo em escolas, em Encontros de Professores, no Departamento do Ensino Secundário, no Conselho Nacional de Educação. Como contributo para a reformulação, deram pareceres as Associações de Professores e Sociedades Científicas, as Federações das Associações de Estudantes, Investigadores em Educação, Organizações Sindicais, de Pais, Empresariais, etc..

Chegámos à fase de decisão. O formato final do que iria ser o Secundário não era totalmente do meu agrado. Vejo como problemática a ideia de manter o Superior como o isco e a consequente excessiva permeabilidade entre o ensino tecnológico e a via de prosseguimento de estudos, tornando os programas do tecnológico muito dependentes dos programas dos cursos gerais. Na Matemática essa dependência é muito marcada e abrange um grande número de alunos. Outro aspecto negativo é a existência de cursos sem qualquer disciplina de Ciência; outro é a criação do "módulo inicial" em todas as disciplinas. Pesados prós e contras, o balanço ainda era positivo: havia uma maior diversificação de vias, no caso da Matemática existiam três disciplinas com identidades bem marcadas, estava prevista a existência da disciplina Temas Actuais de Matemática que pode ser frequentada por qualquer aluno independentemente do curso escolhido, ia haver tempo para fazer formação na Matemática Aplicada às Ciências Sociais, onde o programa era uma novidade, as aulas de 90 minutos induziam a uma maior participação dos alunos, a área de projecto era novidade entusiasmante e desafiadora, havia menos provas globais, menos exames....

Numa segunda fase, foram surgindo na página do DES todos os programas, com um período de 15 dias para discussão. A Matemática já tinha experiência de discussões alargadas tendo sido a primeira a iniciar o processo. Seguiram-se as outras disciplinas. Apesar do período ser curto, foi a primeira vez que os professores tiveram acesso a programas em versão não acabada. Entretanto, nada tinha sido dito sobre a Área de Projecto... e a revisão foi adiada um ano. Esta medida teve o aplauso generalizado, mas eu sempre fui contra. Se não tínhamos feito um esforço verdadeiro, passado um ano poderíamos estar mais ou menos com o mesmo atraso…

Houve mudança de governantes e o Secundário não foi prioridade. Passado um tempo falou-se em novo adiamento! As propostas de programas continuaram a sair na Internet e em Junho de 2001 foram postos à discussão três documentos sobre a Área de Projecto. Até hoje, não sofreram qualquer alteração e nenhuma indicação foi dada às escolas. Retomam-se os Encontros do Secundário, por zonas, com três ou quatro elementos por escola. Na Internet surge uma página de apoio aos professores de Ciências, cuja existência nunca lhes foi comunicada.

Entra 2002 e começa-se a falar cada vez mais em adiamento. Os responsáveis vão dizendo "que não", a menos que o novo governo a ser eleito assim o deseje... No final de Janeiro é divulgado um estudo, O Futuro da educação em Portugal — Tendências e oportunidades, onde são criticadas as opções previstas para o Ensino Secundário.

Depois desta longa história, no que é que eu acredito? Acredito que os professores

vão continuar a trabalhar nas escolas, preparando as mudanças para o novo ano. Muitos acusam um enorme desgaste e sentem-se traídos pela administração, mas irão recuperar.Acredito que o DES vai ter uma atitude de humildade e reconhecer que há um atraso significativo no processo; rapidamente, fará o levantamento das prioridades, comunicará com as escolas, dará indicações para o próximo ano, sobre a Área de Projecto, atrasos neste ou naquele programa, disciplinas sujeitas a exame nos cursos tecnológicos, etc.. Muito há a fazer até Setembro. Mas mesmo que alguns cursos tecnológicos não avancem já, mesmo que uma disciplina arranque sem manual escolar, mesmo que nem todas as escolas estejam equipadas, a revisão deve entrar. Continuaremos

a reivindicar da administração a criação de condições nas escolas, o apoio a professores, seriedade nas medidas que se anunciam. Acredito que o adiamento é a pior das soluções. Mais vale esta revisão com os aspectos positivos que tem, do que adiar sine die algo que não sabemos nem quando nem como virá, perpetuando um Secundário que já não queremos.

 Paula TeixeiraEsc. Sec. D. João V, Amadora

 

 



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